Magnetica magazine asked me and other portuguese people living in London to get together for some photos and interviews in Portobello to celebrate Pepe Jeans 40th anniversary.
you can see the whole story on
Magnetica website.
here is my part of the interview (portuguese only, sorry):
Sara qual é a tua formação?
Estudei Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes. Durante esse
período fiz Erasmus em Madrid onde aprendi imenso sobre serigrafia e
onde me apercebi que não queria trabalhar como designer.
Ao voltar a Portugal procurei trabalho como assistente de fotografia de moda e fiz alguns cursos de fotografia mais técnicos.
Tens tido várias experiências profissionais ligadas à moda. Queres contar o percurso?
Aconteceu tudo um pouco por acaso, por estar na hora certa com as pessoas certas.
A primeira experiência ligada à moda foi o meu trabalho enquanto
assistente de fotografia, era todo um mundo novo, horários e pessoas
diferentes todos os dias, tudo a um ritmo brutal.
Foi nesta altura que comecei a fazer também os meus próprios editoriais
de fotografia, graças aos contactos que fui fazendo as pessoas foram
também conhecendo o meu trabalho e pedindo-me que colaborasse com
algumas revistas.
Quando deixei de trabalhar como assistente estive num gabinete de
comunicação especializado em moda. Era algo que nunca tinha feito, mas a
pessoa que tinha esse cargo ia mudar-se para Londres e perguntou-me se
estava interessada em ir a uma entrevista para a substituir. Na altura
não percebia muito bem as funções de uma account num gabinete de
comunicação mas, como tinha aquele fascínio pelo mundo da moda, fui à
entrevista e acabei por ficar a trabalhar com eles durante 3 anos.
Durante esses 3 anos ganhei experiência e uma melhor percepção de como
funcionam as coisas na área da moda, conheci muita gente com quem acabei
depois por colaborar (produtores, editores de revistas...).
Enquanto trabalhava como account continuei sempre a fotografar (ou nos
fins-de-semana ou pedindo dias livres; felizmente sempre foram muito
flexíveis comigo neste aspecto) e foi nessa altura que foi lancado o
site (que ent~ao era um blog) da Vogue Portugal, no qual comecei a
colaborar com a rubrica "Room Service".
Por coincidência, uns meses mais tarde, recebi um telefonema da
Coordenadora de Imagem da Vogue e GQ a perguntar-me se a queria
substituir, uma vez que ela ia deixar as revistas e achava que eu tinha a
experiência e os conhecimentos indicados para esse cargo. É impossível
dizer que não a um convite destes. Fui a uma entrevista com os
Directores de Arte e um mês mais tarde estava nos escritórios da Cofina a
trabalhar nos Departamentos de Arte da Vogue e GQ.
Essa experiência foi óptima, desde o contacto com as agências, ao
acesso às edições internacionais das Vogue, a todo o brutal arquivo da
Condé Nast..
Mas a vontade de vir para Londres esteve sempre presente, por isso
acabei por vir. Sabia que queria continuar a trabalhar com moda e imagem
(ainda que, para ser sincera, estava já preparada para aterrar em
Londres e procurar trabalho numa Zara para poder pagar a renda nos
primeiros meses) e, coincidência das coincidências, a Ana Canadas - que
eu conhecia dos tempos das Belas Artes e de termos trabalhado juntas em
alguns editoriais de moda mais tarde -, avisou-me de uma vaga no
departamento de Visual Merchandising na Farfetch.
Acabei por ficar com o trabalho e estou com a Farfetch há já 1 ano.
O primeiro contacto que tive contigo foi através das tuas fotografias da qual somos tremendos fãs. Que espaço ocupa na tua vida?
A fotografia é algo muito importante na minha vida, é uma espécie de
escape, é algo que me dá verdadeiramente prazer fazer - desde a escolha
dos rolos, o disparo, a espera pela revelação, a edição das fotos, a
escolha do que colocar no meu blog, até às zines que edito -, e que
decidi manter como algo puro, como um hobby do qual não dependo para
pagar contas.
Não quero com isto dizer que não aceito comissões, mas faço-o
esporadicamente e aceito apenas os trabalhos/clientes com os quais me
identifico. Decidi não depender da fotografia para poder ter essa
liberdade de escolher o que quero ou não fotografar.
Houve uma altura em que fazia mais trabalhos comissionados e quando ia
de férias ou de fim-de-semana a última coisa que queria era pegar numa
câmara, comecei a vê-la como um objecto de trabalho e não de prazer.
Agora a fotografia, as minhas zines e o meu blog são parte de mim, são um diário visual.
Como surgiu a possibilidade de rumar a Londres? Como está a ser a experiência?
Desde que visitei Londres pela primeira vez (com os meus pais, teria eu
uns 12 anos) que me apaixonei pela cidade. Não sei se foram as luzes de
Natal do Harrods, se foi ver neve ao vivo pela primeira vez, ou se é
hereditário (a minha mãe sempre foi fã da cultura britânica, nos anos 90
a nossa casa parecia um catálogo da Laura Ashley..), mas desde essa
viagem que eu s oube que um dia viver'ia em Londres.
Adiei essa mudança durante vários anos porque sempre tive bons
trabalhos em Lisboa e pensava "se não estou mal, para quê mudar?". Mas a
vontade de viver nesta cidade falou mais forte. Um dia acordei e disse a
mim mesma "é agora". Comprei uma viagem de ida, avisei os amigos mais
próximos e a família, apresentei a minha carta de demissão e comecei a
fazer a mala.
A experiência está a ser melhor do que alguma vez esperei. Tive a sorte
de encontrar uma casa e um trabalho fantásticos logo na primeira
semana. O tempo e os ingleses não são tão cinzentos como se diz. A
experiência de trabalhar na Farfetch também está a ser impressionante, é
uma empresa que está a crescer a um ritmo alucinante e eu tenho
acompanhado por dentro essa evolução no último ano, e é recompensador
saber que o nosso trabalho está a ajudar a esse crescimento e que somos
uma peça importante no processo.
Se pudesses escolher uma peça de roupa qual seria? (casacos, calças etc… não é dizer uma específica)
Esta é uma pergunta muito difícil para uma rapariga, especialmente uma que trabalha em moda. Sapatos contam como peça de roupa?
Ok, diria que camisolas de malha grossa. "Knitwear" é o primeiro que vejo sempre que vou a um site de compras online.
Tens um artista preferido? (músico, pintor…)
Tenho uma lista interminável de artistas cujo trabalho eu admiro. Desde fotógrafos a músicos, designers...
Um fotógrafo?
Não tenho um fotógrafo favorito, tenho imensos fotógrafos que adoro,
mas ultimamente estou obcecada com o trabalho do Alec Soth e as
publicações Little Brown Mushroom.
O que mais te dá prazer na vida?
Um bom pequeno-almoço e descobrir uma nova cidade são duas das coisas que estão no meu top 5.
Pelo que conheces da Pepe Jeans, que celebra este ano 40 anos, o que achas que deixa para sempre no mundo da moda?
A Pepe Jeans sempre colaborou com os melhores fotógrafos e
modelos/celebridades para as suas campanhas, mantendo sempre presente o
espírito da marca. Sendo uma marca com 40 anos é de salientar esta
atitude arrojada e inovadora (há que destacar aqui a primeira campanha
fotografada pelo Bruce Weber, a campanha com o Cristiano Ronaldo em
2005..) e a capacidade de acompanhar a evolução das tendências mas
mantendo-se sempre fiel ao que é a essência da Pepe Jeans. Este
equilíbrio entre a tradição e a criatividade é algo que devia servir
como exemplo numa área como a Moda, que está constantemente a
reinventar-se.