10.10.2010

room service - saga sig.










Saga Sig é uma islandesa de 24 anos (muito pouco) perdida em Londres e tem impressionado com o seu talento (e estilo) enquanto fotógrafa de moda.

Traz no currículo colaborações com as revistas Dazed & Confuzed britânica e nipónica, Voguecoreana, IloveFake, Dealer Deluxe, mas não se fica por aqui. A jovem conta com editoriais publicados na China, na Rússia, e ainda na Noruega e Arábia Saudita. Autora do blog The Neverending Story, Saga Sig é uma coleccionadora nata - sapatos, mini-autocolantes, bonecos, objectos antigos…- e, claro, sonha com um quarto maior. Quem a pode repreender?

Conta-me um pouco das ruas raízes. Onde cresceste? No interior da Islândia, um lugar mágico, com glaciares, areia preta, lava e onde não havia muita gente. Depois mudei-me para a capital, Reykjavik, quando tinha 15 anos.

Quais as referências e memórias mais importantes que tens de casa? A minha família e amigos, o ar puro e a água, o vento a soprar... estar fora, mas dentro da natureza. O facto de se sentir o mar e o oceano tão próximos, mais do que em qualquer outro lugar do planeta. Por vezes sinto que lá posso tocar no céu. Tenho muitas saudades...

E trocaste tudo isso por Londres. Quando te mudaste e porquê? Vim para Londres há dois anos para estudar Fotografia de Moda.

Decerto, esses dois anos já chegaram para criares amores e ódios na cidade... O que adoras e o que odeias em Londres? Adoro as pessoas maravilhosas que encontramos...são tão abertas! Adoro o humor britânico, as pessoas criativas, adoro todos os excelentes cafés e galerias...Londres é um lugar inspirador para se viver. Odeio não ter a minha família por perto, sinto a falta deles, e não gosto do metro à hora de ponta (risos).

Em que escola estudas? No London College of Fashion. Estou no meu terceiro – e último – ano.

És estudante mas, pelo que sei, a fotografia já tomou conta da tua vida profissional, certo? Sim, tenho tido a sorte de poder trabalhar imenso ao mesmo tempo que estudo e tenho tido oportunidade de colaborar em diversos projectos emocionantes em Londres.

Mas como tudo começou? Mesmo a sério, foi aos 18 anos, quando comecei a fotografar todos os dias (embora tenha recebido a minha primeira máquina fotográfica aos oito anos!) e foi aí que decidi tornar-me fotógrafa.

Podes dizer-me quais são os teus ícones no mundo da fotografia? Ohh...esta pergunta é tão difícil. Gosto de tantos fotógrafos! Para ser sincera, acho que não consigo mesmo responder a esta questão!

Sei que adoras fotografar em analógico. Podes explicar-nos porquê? Adoro a qualidade do analógico e a emoção de ver o rolo revelado. É uma sensação tão boa! Não acredito que fotografar com uma máquina digital poderá, algum dia, ser a mesma coisa que fotografar em analógico. É mais mágico.

Além de fotógrafa, também és uma blogger super activa. Sobre o que gostas mais de postar?Criei o meu blogue The Neverending Story quando me mudei para Londres para os meus amigos e família me poderem acompanhar. Mas agora publico, sobretudo, o meu trabalho e aquilo que me inspira. O meu blogue tem sido uma grande ajuda para arranjar trabalhos e ser reconhecida em Londres.

E também publicas muito sobre moda. Qual é a tua relação com o mundo da moda? Adoro o facto de se poder criar todo um mundo com roupas e que nos possamos exprimir pela maneira como vestimos. Sou fascinada por sapatos e vestidos bonitos!

Por sapatos? Sim, não é difícil de perceber... Humm...pois, eu simplesmente adoro sapatos.

E quais são os teus eleitos? Trabalho muito para uma maravilhosa marca islandesa chamada Kronbykronkorn. Adoro as cores e os detalhes. Também adoro os meus Miu Miu pretos, são lindos, e os Sonia Rykiel. O meu par favorito são uns amarelos, vermelhos e verdes da Kronbykronkorn. As cores são tão bonitas e são tão confortáveis.

Além dos sapatos, também sei que coleccionavas pequenos autocolantes, certo? Sim, coleccionava-os quando era pequena. Tenho cerca de dez livros cheios e costumava arrumá-los em várias categorias, como os brilhantes, aqueles com animais ou com aromas...não havia muitas crianças para brincar onde eu, a minha irmã e o meu irmão vivíamos, no interior da Islândia, por isso, tínhamos de brincar com o que havia. Este era um dos meus passatempos.

E os bonequinhos do armário? São mesmo da tua infância? Alguns deles são! Sou muito nostálgica, acho...e sou uma coleccionadora por natureza (perguntem ao meu namorado, não consigo deitar nada fora!), gosto de quartos cheios de coisas bonitas, como livros antigos, frascos de perfumes, vestidos, postais...

Entendo-te tão bem! Adoro o ar romântico girly e todo-cor-de-rosa do quarto, mas tenho de perguntar-te: o teu namorado não se importa? A minha parte do quarto é toda cor-de-rosa e girly, mas quando nos viramos para o espaço do meu namorado, é tudo preto e do death metal, com um estilo muito clean, preto e branco!

Ah, já percebi! E também vejo que te identificas muito com o estilo vintage. Sim, adoro coisas antigas com uma história por trás, de aspecto desgastado. Há algo de mágico nas coisas antigas...

Gostas de mudar a decoração do quarto com frequência? Sim...e acho que gostava de ter um quarto maior, porque é muito difícil dormir, ter todas as roupas e uma secretária para mim e para o meu namorado, que é ilustrador freelancer e também trabalha muito em casa. Adorava ter chão de madeira, em vez da típica carpete cinzenta de Londres. Seria muito agradável ter outra grande janela com plantas e um espaço maior para a minha roupa...enfim, quero mesmo um quarto maior! Quando nos mudámos para Londres há dois anos, não trouxemos nada connosco. Temos vindo a trazer as nossas coisas da Islândia aos poucos. Há dois anos, o quarto não tinha qualquer personalidade e, com o tempo, temos vindo torná-lo mais nosso.

© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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